Setor de climatização fatura R$ 50,15 bi em 2025, alta de 10,4%, e projeta R$ 55,62 bi neste ano
Setor de climatização fatura R$ 50,15 bi em 2025, alta de 10,4%, e projeta R$ 55,62 bi neste ano
Expectativa é que o segmento de instalação e manutenção continue liderando o crescimento em 2026, com alta estimada de 19,8%
O setor de aquecimento, ventilação, ar condicionado e refrigeração (AVACR) no Brasil encerrou 2025 com faturamento de R$ 50,15 bilhões, o que representa uma expansão nominal de 10,4% em relação a 2024. Os dados constam em balanço divulgado pela Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) durante evento realizado na última quinta-feira (29). O crescimento, embora robusto, ficou abaixo da expectativa inicial da entidade, que previa um avanço de 16,5% no ano.
Na avaliação técnica da Abrava, o desempenho do setor em 2025 foi influenciado por um cenário macroeconômico mais restritivo, marcado pela elevação da taxa Selic para 15%, fator que reduziu o dinamismo da economia brasileira. Ainda assim, o segmento manteve o ritmo de expansão sobre uma base de comparação elevada em 2024. Projeções do Santander utilizadas no balanço apontam que a taxa de desocupação de 5,7% ajudou a sustentar o consumo das famílias em patamares elevados, atuando como contraponto ao aperto monetário.
Apesar de o crescimento de dois dígitos ser considerado positivo, o relatório menciona uma “ponta de decepção” em relação à frustração das projeções. Em entrevista ao Valor, o diretor de economia da Abrava, Toríbio Rolon, minimizou o desvio. “Apesar do valor de crescimento estar abaixo do valor previsto, deve-se levar em conta que 2024 foi um ano muito forte, portanto a base de comparação é muito elevada”, afirmou o executivo, acrescentando que um avanço superior a 10% sobre essa base é “um excelente resultado”.
No quesito produção, o setor de aparelhos tipo split (com evaporadora e condensadora separados) manteve sua trajetória ascendente, atingindo a marca de 6,385 milhões de unidades produzidas em 2025, um aumento de 8% frente aos 5,912 milhões fabricados em 2024. Nos equipamentos de maior porte, o destaque foi o “splitão”, que registrou uma taxa de crescimento de 27,3% em 2025.
O balanço aponta ainda que os custos de produção permaneceram elevados ao longo de 2025, embora em desaceleração em comparação a 2024. O índice médio recuou de 12,9% para cerca de 10,4%, movimento favorecido pela parcial reversão da desvalorização do real frente ao dólar, o que reduziu o custo de insumos importados. Por outro lado, o preço internacional do cobre — insumo essencial para o setor — atingiu máximas históricas a partir de outubro, pressionando a estrutura de custos. Questionado sobre os impactos nas margens, Rolon ponderou que a relação entre insumos e rentabilidade não é direta. “O dado se refere ao custo de aquisição de insumos e não ao custo total das empresas. Cada empresa tem uma participação de insumos próprios”, explicou.
Segundo o executivo, o setor tem se descolado do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. “O setor vem crescendo acima do país há algum tempo, em grande parte pela elevação das temperaturas, baixa penetração de ar condicionado nas residências e maior demanda por refrigeração em diversas atividades, como data centers”.
Dentro da cadeia produtiva, o segmento de instalação e manutenção foi o principal motor de crescimento em 2025, com expansão de 20,7%. Em contrapartida, novos projetos avançaram 8%. Questionado se o maior peso dos serviços poderia indicar uma mudança estrutural para a manutenção de ativos existentes, Rolon disse que a associação ainda precisa “pesquisar melhor sobre essa mudança no mercado” antes de uma afirmação detalhada.
Outros subsetores também registraram avanços relevantes: fabricantes de ar condicionado cresceram 10%, o comércio de aparelhos avançou 8,6%, projetistas e consultores tiveram alta de 8% e a refrigeração comercial e industrial registrou expansão de 4,4%. O levantamento também revelou um descolamento na confiança empresarial: enquanto o índice de otimismo com as próprias empresas alcançou 58,6 pontos, a avaliação sobre a economia brasileira ficou em 50,9 pontos.
Perspectivas para 2026
Para 2026, a Abrava projeta faturamento de R$ 55,62 bilhões até dezembro, o que representaria um incremento próximo de R$ 5 bilhões em relação a 2025. A expectativa é que o segmento de instalação e manutenção continue liderando o crescimento, com alta estimada de 19,8%.
Rolon estima um crescimento orgânico médio de 10% ao ano para o setor nos próximos cinco a dez anos. O relatório, no entanto, aponta que 2026 pode ser marcado por desaceleração, diante das incertezas na geopolítica internacional e do cenário eleitoral brasileiro, fatores que podem impactar os custos de insumos e a estabilidade do mercado.
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